segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A City Lights em Portucalis




A “City Lights” Bookstore em “Portucalis”. Dois anos de um projecto português na “Second Life”.

Sorrio quando me pedem para escrever sobre a “Second Life” em português e a “CIty Lights” bookstore em “Portucalis”. Que utilidade pode proporcionar um equipamento como este, em imagens de três dimensões, a uma comunidade falante de português na vida virtual? Como é que nesta nova ficção, o imaginário individual de alguns pode co-existir com a fragilidade efémera de um simples gesto, num projecto mais vasto e ambicioso de construção e coesão de um imaginário social diferente?

A livraria em “Portucalis” nasceu há cerca de dois anos pela mão e engenho do Imso Obscure e dos fundadores desta pequena comunidade, integrada num projecto mais amplo de âmbito cultural e educativo que se desenvolveu simultaneamente na ilha.

Com a “Academia Portucalis” e a “Galeria Lx” que mantêm desde a sua criação, actividades regulares e autónomas, a livraria participou no desafio de utilizar, formar e experimentar esta plataforma de comunicação que é a “Second Life”, em actividades que ultrapassam o mero aspecto lúdico.

Foi na “Livraria LX”, hoje “City Lights”, (em homenagem à mítica livraria de S. Francisco da Califórnia, fundada em 1953 por Lawrence Ferlinghetti , por onde passaram os maiores nomes da Beat Generation), que se instalou a primeira comunidade de leitura em português, uma iniciativa da Hopes&Dreams Allen e minha, mas que prontamente recebeu o apoio dos fundadores de “Portucalis”, que nos cederam as instalações existentes na altura e colaboraram activamente na divulgação deste projecto. E assim continua …

Reagindo a um certo cansaço de imagens e de sons, tem procurado experimentar neste ambiente virtual, vias alternativas para a divulgação e discussão em grupo, neste caso, de obras de literatura portuguesa e universal, procurando contribuir para a construção de um imaginário social mais rico, na “Second Life” falada em português.

A divulgação da cultura literária nesta plataforma interactiva de comunicação passa inevitavelmente pela criatividade, inovação e mudança, pelo que hoje, a Livraria “City Lights” apresenta-se noutro local em “Portucalis”, integrada num conjunto arquitectónico renovado, desempenhando desde a sua criação um elemento agregador da pequena comunidade portuguesa que participa activamente nas sessões mensais e mantendo as suas actividades regulares em parceria com outras entidades participantes nesta plataforma de comunicação.

E assim vamos continuar, “enquanto houver estrada para andar”.

Fokas Greenwood

( Artigo para a Revista Sábado)

sábado, 30 de Maio de 2009

A Gramática da Língua Portuguesa

É o meu primeiro post neste blogue. Deixo um texto que recebi da minha amiga Leonor.
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Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

Aldous Huxley - Doors of Perception

Antes de entrar na Sombra do vento....

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

sombra do vento - memória


Comprei o livro ainda fresquinho no escaparate e ofereci-o de prenda de anos a um bom amigo. Leu e gostou muito. Depois pedi-lhe o livro mas a namorada andava a lê-lo e a gostar e já havia mais alguém na fila para a leitura do dito.
Meses mais tarde passeando o olhar pela biblioteca do sogro, descobri o livro, novinho em folha, arrumadinho para não mais sair dali. Resgatei-o e ao pedir licença para o “usar” o senhor disse-me que o livro era muito erótico … e até obsceno, com muitos palavrões. Isso aguçou-me a curiosidade … claro está.
Li-o de um sorvo … e fui a Barcelona umas semanas depois. Não encontrei o Carax, nem soube quem era o Daniel, muito menos descobri o cemitério dos livros, mas andei atenta a cheirar a cidade e os seus muitos mistérios. Andei à procura de dias de vento … mas o sol teimou em brilhar … e do vento, nem a sombra se via.


Linhas e páginas para descobrir com uma história bem esgalhada.

P.S. Não devolvi o livro ao sogro, nem o tenho arrumado, porque continua a passear por aí … qual vedeta de bookcrossing.

Para Junho … com as controvérsias que quisermos e que a Hopes permitir …

sábado, 16 de Maio de 2009

Porquê "O Deus das Moscas"?


Escrito durante os primórdios da Guerra Fria e publicado em 1952, "O Senhor das Moscas" retrata a conflitualidade do pós-guerra, pois a história começa com a queda de um avião que tinha deixado a Inglaterra após um bombardeamento nuclear. Deste acidente, apenas um grupo de crianças sobrevive e, para serem resgatadas, elas estabelecem uma frágil sociedade "democrática". Entretanto, a luta pela liderança divide esta comunidade e instaura um violento conflito entre elas.

Esta obra de Golding pode ser interpretada sob várias perspectivas. Como uma analogia da luta entre a democracia, na qual todos podem ter voz, mas que, por outro lado, as decisões são arrastadas e controversas, e a ditadura, na qual um tirano estabelece um sistema hierárquico baseado na punição e no medo.

Entretanto, há uma mensagem mais profunda em "O Senhor das Moscas", já que ela pode representar os conflitos dentro da própria mente humana. Ralph é a consciência, porque todos seus esforços são o de manter a coerência no seu discurso e acções e de agir da maneira mais correcta para serem resgatados; Porquinho é a racionalidade; Jack, os instintos animalescos e primitivos; Simon, a contemplação e intuição. No fundo, Golding afirma que estas contradições não existem somente no interior de uma sociedade, cujo resultado extremo é a guerra, mas também no interior do próprio indivíduo.

E dito isto, penso que teremos pano para mangas... Um debate prometedor na última segunda-feira de Maio. A não faltar!

sábado, 2 de Maio de 2009

feriados com cor


Têm uma especial cor estes feriados de Abril e Maio.

Vestem-se de cores e cheiros, com sabor a tempos que já foram, continuam a ser...e serão ainda...Primaveras por inventar.

Vestem-se de cores várias, canções várias e quando o Domingo chegar ... ficamos à espera das cores e dos cheiros dos feriados de Junho...bandeirinhas com mais cores, discursos mais da nossa "pátria", cheiros da "fátria" adormecida e acordada pelo sol que teimosamente vai brilhando. Depois virão os cheiros das sardinhas, as cores das marchas e os festejos da cidade, que agora ainda se veste de livros e curtas.

E eu ainda apaixonada por esta Lisboa! E eu ainda apaixonada!

A City Lights Bookstore estará pronta para albergar novos eventos daqui a nada. (Diz o Fokas que é sábio ...:-)
Estou só a respirar os cheiros instalados e a adivinhar vaidosa os que se avizinham. E gosto de ciclos reinventados.

Até ao Deus das Moscas!

poulana

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Na Prisão de Caxias

Dizia-me uma colega ter ouvido o seguinte comentário nas reuniões onde aparecia.: Ah, é então bibliotecária, que simpático...Mas diga-me :como é isso de ser bibliotecária? Pergunta a que ela respondia invariavelmente. "É sobretudo uma questão de dinheiro e de poder". " A GOOGLE E A BIBLIOTECA UNIVERSAL," In Le Monde diplomatique, versão portuguesa de Abril de 2009.

Sim... e enquanto houver estrada para andar nós vamos continuar! E prometemos ser rápidos com as obras!

domingo, 26 de Abril de 2009

Em Abril não há "Moscas" no City Lights


Abril foi mês de várias comemorações no SL em Portucalis às quais nos associámos.
E com mais ou menos problemas não só informáticos lá estivemos presentes. Acontece que para além destes existem outros de ordem pessoal que nos impedem de levar a sessão de segunda-feira no dia habitualmente combinado, a última de cada mês. E porque sexta-feira é 1º de Maio, a sessão vai ser definitivamente adiada para o final do mês. Pedimos desculpa a todos os nossos leitores mas "O Deus das Moscas" do William Golding vai esperar por dias mais calmos.

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

José Afonso - Canção de Embalar

Viva a Liberdade!
Viva o 25 de Abril!

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Serão as mulheres mais benevolentes?

Olha..fui à procura do horrível e deparei com este teu video. Voltamos sempre ao local do crime... de onde parece que nunca saímos...mas acredito que sim.Fokas

Cultura organizacional em O Senhor das Moscas (Parte I)

Por quê?
Porque achas que o deus da vadiagem vai fazer de ti um santo?
Não deixou morrer já o Sebastião Alba e o Luiz Pacheco?
A sério...se as mulheres existissem apenas
para baratinar os chuis.
Nós podiamos de novo ter três olhos azuis!
E quem sabe...um dia até voltar a
Amar.

Lord of the Flies - the beast as metaphor

Quelqu'en m'a dit...

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Lord Of The Flies Introduction Trailer

Não vale ver só o filme!

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Amigos da Onça...

Com um pouco atrasado é certo, mas cá ficam as minhas impressões da última sessão do CL.

“O velho que lia romances de amor” teve direito a quizz, umas perguntinhas sobre o livro que demonstraram que toda a gente tinha feito o trabalho de casa. Foi uma inovação sobre a qual gostaria de ter opiniões.

Quanto ao habitual debate que se seguiu, pareceu-me mais consensual que os anteriores, o que não é surpreendente.

Toda a gente se comove com um velho que lê romances de amor.

Ninguém pode deixar de abraçar a causa da defesa da Amazónia contra a ganância do homem branco.

Todos riem com a cena do dentista anarquista e com a figura suada do “Babosa”. Ninguém pode deixar de condenar e reconhecer essa figura noutros mini-tiranos que populam por aí…

Todos mostraram simpatia pela figura da onça, numa cruzada justa contra o homem civilizado, só divergimos no facto de ela ter ganho ou não essa luta… O mais optimistas dizem que sim, os mais pessimistas dizem que não, mas o que é certo e que todos a queriam ver como vencedora. E por isso achei por bem chamar a este post "Amigos da Onça"...

No final nos ouvidos de todos, ficou a ecoar a frase: “…os colonos devastavam a floresta construindo a obra-prima do homem civilizado: o deserto.”

quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Sepulveda Charmed




Assim passámos mais um serão em Portucalis...novos e velhos... que ainda adoram ler e falar de romances de amor! O livro de Abril será bem mais duro "O Deus das Moscas" de William Golding"...uma introdução à anatomia do mal antes que o M2 nos ponha a ler "As Benevolentes".