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quarta-feira, 4 de março de 2009

Da ficção científica à realidade

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Mais uma vez os nossos leitores não me deixaram ficar mal. A ideia dos leitores progressivamente se tornarem também moderadores, resultou em cheio. A nossa Elora foi uma moderadora exemplar, manteve um debate animado com questões muito interessantes. Quem pensava que do Heinlein só se falaria de ficção científica, depressa percebeu que estava enganado.

A nossa moderadora captou de imediato a atenção de todos, quando se insurgiu contra o autor que no livro declarava que 90% das mulheres gostavam de ser violadas. Sexista? Preconceituoso? Que papel tinham afinal as mulheres no livro? Acabamos por concordar que o espírito hippie não tinha chegado à forma como as mulheres eram encaradas na obra... Mas outras questões se levantavam, como a religião e fé, em que acreditava o personagem principal? Nele próprio? Na racionalidade? Mike tentava "grocar" o que o rodeava. "Grocar"? Assimilar ou analisar profundamente deduzimos nós, e isso não é de um homem crente, mas de um ser pensante...



O debate foi um excelente exemplo de como se faz a ponte de um mero livro para a nossa própria realidade. A pretexto da postura do Michael Vallentine Smith, acabamos a discutir fé e racionalidade, o divino e o humano, valores e preconceitos, no fundo o que faz de nós quem somos.

É impossível reproduzir tudo o que foi dito, todas as citações que suscitaram debate. Por isso abrimos o blog e as caixas de comentários a todos os que estiveram presentes e que queiram partilhar as impressões de duas horas de discussão animada. Pela minha parte, vou destacar a citação do livro que acho, nos impressionou a todos:

“I grok people. I am people… so now I can say it in people talk. I’ve found out why people laugh. They laugh because it hurts so much… because it’s the only thing that’ll make it stop hurting.”


segunda-feira, 2 de março de 2009

Encontro CL amanhã às 22 horas

Aqui fica o resumo do livro "Estranho numa terra estranha", gentilmente cedido pela Elora Longu e que será o tema da sessão de amanhã:

A primeira missão tripulada a Marte não regressou à terra. Vinte anos depois a segunda missão encontra Valentine Michael Smith, nascido em Marte e único sobrevivente da primeira tripulação. Educado pelos marcianos, Smith regressa à Terra com capacidades milagrosas e uma filosofia marciana. As autoridades terrestres procuram controlar o acesso a este ser que, segundo as leis do Planeta que lhe deu origem é não só dono de Marte mas também herdeiro de uma colossal fortuna. Mike, o Homem de Marte, acaba por escapar com a ajuda da enfermeira Jill e inicia um processo de aprendizagem sobre a sociedade terrestre, que culmina na fundação de uma nova religião enfatizando o amor, a partilha e a responsabilidade de cada sobre a sua própria vida. Mike acaba por morrer para salvar a Humanidade, garantindo também a imortalidade da alma humana.

Mais informação nestes links:


http://www.war-ofthe-worlds.co.uk/stranger_in_a_strange_land.htm


http://fandomania.com/book-review-stranger-in-a-strange-land/


http://pt.wikipedia.org/wiki/Stranger_in_a_Strange_Land


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os cem anos a grocar e a inventar futuros

A net tem destas coisas quando funciona... Aqui vão algumas linhas escritas há pouco tempo...pelos 100 anos do nascimento de um dos grandes mestres da FC no "Diário de Notícias".

Na sua esmagadora Encyclopedia of Science Fiction, Peter Nicholls chama a Robert A. Heinlein "de longe, o mais influente escritor da ficção científica americana moderna".

Poderíamos até ir mais longe. Heinlein, que nasceu faz hoje 100 anos, é, juntamente com o seu compatriota Isaac Asimov, e com o britânico Arthur C. Clarke (o único ainda vivo do trio), um dos três maiores escritores da história da ficção científica (FC). Mercendo plenamente, tal como os outros dois, o título de Grande Mestre que lhe foi concedido em 1975 pelos seus confrades da Science Fiction Writers of America.

Nascido em 1907, com o início do século XX e o grande ímpeto tecnológico que o havia de caracterizar, Robert A. Heinlein foi um dos escritores que mais contribuiu para a maturidade, sofisticação temática e para o aumento da qualidade literária da FC. Fê-lo através da solidez técnica e da plausibilidade inatacável da especulação científica dos seus enredos; da ênfase que dava ao elemento humano sem descurar a inventividade técnica; e da variedade de temas sociais, políticos, culturais, religiosos e civilizacionais que tratou, deixando sempre bem vincadas a sua personalidade individualista na melhor tradição americana, e o libertarismo das suas ideias.

Este "anarquista de direita", como bem o definiu o citado Peter Nicholls, que começou a sua vida muito mais à esquerda, foi tudo menos um conservador dentro do género, tendo abordado assuntos como o racismo, a discriminação, o totalitarismo, a religião ou a sexualidade, antes e com mais profundidade e pertinência do que a literatura mainstream.

Grande inventor de futuros que também remetiam ao presente e podiam estar ligados ao passado, Robert A. Heinlein era um clássico que sabia também ser moderno, inovador e iconoclasta, capaz de assinar tanto Soldado no Espaço (1959), o elogio da cidadania realizada através do serviço militar e uma grande narrativa de iniciação à vida através do combate, que lhe valeu o rótulo de "fascista", como Não Temerei Nenhum Mal (1970), em que um velho milionário faz transplantar o seu cérebro para o corpo de uma jovem mulher, que deixou perplexos os seus amigos e admiradores mais conservadores. E isto sem que as narrativas sacrificassem a legibilidade, perdessem o seu alto valor de entretenimento ou virassem panfletos.

Heinlein viu inclusivamente um dos seus livros mais conhecidos e aclamados, Um Estranho Numa Terra Estranha, de 1961, transformar-se numa obra de referência pelo movimento contracultural americano, alguns anos mais tarde, tornando-o num guru de pessoas cujas ideias e comportamentos execrava, devido à sua formação militar e às suas convicções ideológicas.

Grande apreciador de nomes pioneiros e fulcrais da FC e do fantástico como H. G. Wells, James Branch Cabell ou Edgar Rice Burroughs, mas também de escritores como Rudyard Kipling, Heinlein cunhou palavras que entraram no vocabulário inglês, coloquial ou técnico (caso de "grok" ou de "waldo"), e foi um dos primeiros autores de FC a triunfar comercialmente na era da literatura de massas, bem como o primeiro a levar o género das revistas especializadas para os títulos mainstream.

Vencedor de quatro Prémios Hugo e várias vezes votado "o maior autor de todos os tempos" em inquéritos a leitores do género, realizados por revistas como a Locus, Robert A. Heinlein deixou uma marca única, gigantesca e indelével na literatura de FC. A Heinlein Society (www.heinleinsociety.org) preserva o seu magistral legado para o mesmo futuro com o qual construiu a sua obra.

In Diário de Notícias


07-07-2007

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Próximo City Lights 2/03

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Este mês, dadas as pontes, mini-férias e festividades carnavalescas, resolvemos marcar encontro não na última segunda de Fevereiro, mas na primeira de Março, dia 2. A hora não muda: 22:00 na Livraria de Portucalis. O que também não muda é a publicação de um textozinho para aguçar a curiosidade:


Um Estranho numa terra estranha é talvez a mais célebre obra de ficção científica: a famosa Stranger in a Strange Land, verdadeira bíblia do underground norte-americano; análise poderosa e pungente do drama do verdadeiro marginal - do homem colocado à margem da humanidade pela sua cultura, pela diferente apreciação de valores, pela busca de uma pureza que contrasta com a cobiça, a ânsia do poder, a brutalidade da vida de todos os dias e de todos os «homens-bons».


Retirado da Introdução - Edições Argonauta.